Uma correlação de aprendizagem entre o concreto e o abstrato

Publicado em: 28/10/2021

O ensino tradicional é formado pelo concreto, ou seja: livros e anotações que fazemos. Mas e se o misturássemos com uma aprendizagem mais abstrata, que envolvesse os nossos sentidos? Esse modelo híbrido foi o que o educador estadunidense Edgar Dale, em 1946, teorizou como sendo o “cone da experiência”.

Você já deve ter escutado falar do método behaviorista em algum momento da sua vida, certo?! Pois, em 1913, John B. Watson vê a possibilidade dentro da educação, de analisar e alterar o comportamento humano. Para ele, modificar algumas matérias e conteúdos que fazem parte da grade curricular – ou até diferentes formas de se transmitir o aprendizado – repercutiria futuramente nas escolhas e aptidões dos alunos.

Aquele momento da sua vida em que você entrou em diversos sites fazendo quizzes vocacionais e errou tantas vezes tentando se encontrar em uma carreira sólida… Com o pensamento behaviorista, isso teria menos chances de acontecer!
Inclusive, Watson defendia que com os estímulos certos, qualquer aprendiz poderia ter seu comportamento moldado, e, futuramente, ser um profissional de sucesso.

Parece interessante, não?!

Na linha do tempo, estudiosos da educação deram sequência ao behaviorismo, assim como o psicólogo Skinner. Mas, uma grande quebra de paradigma veio em 1946, quando Edgar Dale trouxe sua teoria de que o método é a forma mais importante de aprendizado.

O cone da experiência é um modelo visual com onze estágios, partindo das experiências concretas (no inferior do cone) até as mais abstratas (no topo). A abordagem concreta está ligada às questões dos sentidos (visão, tato, audição) e que, quando são inter-relacionadas às abstratas acabam promovendo uma aprendizagem mais significativa.

A tecnologia educacional gira bastante em torno do cone da experiência, e olhando para cada fase, desde o concreto ao abstrato, é mais fácil de compreender a importância desse sistema sensorial na educação.

“A mão na massa”
Aqui é a base do cone. Este nível envolve um pacote de atividades sensoriais em que a experiência que o aluno tem é a que mais se aproxima da vida. São atividades do tipo ‘faça você mesmo ‘, para que ele que compreenda as soluções que ele precisa resolver são similares às reais.

A integração da tecnologia educacional cabe perfeitamente aqui, sendo que possui diversos recursos, trazendo aos alunos possibilidades de criação e análise.

“Como um espelho”
Nesse nível, ocorre uma representação da realidade para ‘visualizar’ o que pode ou deveria ser feito, proporcionando experiências ainda em nível de abstração.

Como um efeito simulador, os alunos podem participar de situações tão parecidas com as originais, possibilitando a famosa ‘ação e reação’ de cada um, tudo isso através de tecnologia.

“Teatralizando”
Nem sempre é só assistir. Mas a interação é superimportante também! Esse marco de onde os alunos tornam-se o foco principal – de espectadores para protagonistas – faz com que a absorção se torne mais aprofundada ao dramatizar ou ensinar o que foi transmitido.

“O mundo com outros olhos – Exposições”
Um dos primeiros níveis do cone (no topo) em relação a abstração é a viagem de campo e exposição, que se torna uma experiência para “os olhos”, ou segmento visual. As ideias de significado são alteradas com base nas diferentes imagens, trazendo novas perspectivas para vivenciar outras realidades – fora do usual.

“Televisões e filmes”
O vídeo tem uma força educacional muito grande, guiando através de edições e movimentos de câmeras.

Até mesmo os podcasts ativam poderes sensoriais que auxiliam grandemente na aprendizagem. Quem nunca recebeu aquele textão no WhatsApp e pediu para gravar um áudio porque estava ‘ocupado’?! 

“Tradicionais”
Com um distanciamento de atividades práticas, nesse nível de aprendizagem a recorrência maior é de papel, caneta e conceitos! A integração da tecnologia, porém, não é nada profunda   e talvez – um pouco… mais limitada, apenas às leituras e absorção através do simbólico visual, que são gráficos, diagramas ou apresentações abstratas.

Para cada estágio ou nível, não existe uma fórmula certa. Eles sempre precisam andar lado a lado. Essa correlação entre métodos é o que faz o aprendiz ter mais sucesso em obtenção de conhecimento. As experiências, quando conectadas, sejam elas abstratas ou concretas, desenvolvem um raciocínio mais amplo.

Já dizia o ditado “na teoria é uma coisa, na prática é outra…”, e é essa a teoria que Edgar Dale propõe: um mix de métodos!

A tecnologia educacional não se limita a aparelhos de entretenimento, mas exatamente a essa exploração sensorial que o cone da experiência procura explorar durante o aprendizado. Atingir um equilíbrio entre o tradicional e o inovador!

Mas qual sua opinião? A tecnologia educacional traz artificialidade ou consciência?