Como transformar Conversas Difíceis em Diálogos de Aprendizado?

Publicado em: 30/12/2021

Seja fazer algum pedido para o chefe ou dizer aos liderados que as demandas estão atrasadas e eles precisarão fazer hora extra… A gente não gosta nem um pouco das conversas difíceis, pelo simples fato de que elas são realmente desagradáveis! Ficamos imaginando se elas vão terminar ainda pior do que quando começaram e, não bastasse isso, nossa mente mirabolante dá voltas e voltas no mundo da imaginação (só para ajudar mais um pouco, rs).

E o que nos resta?

Sem saber como lidar com estas situações, na maioria das vezes, partimos para o plano B: PROCRASTINAR! Empurramos com a barriga essas conversas até não ter mais jeito.

Mas veja bem, a comunicação é a nossa marca registrada como sociedade. É por meio da comunicação que se fazem as cartas de amor, as novelas e os dramas, que mostramos empatia pelo próximo e temos as conversas difíceis!

Assim como abraçamos e aprendemos a lidar com outros tipos de comunicação, precisamos encarar de frente essas situações que nos afligem, buscando uma luz para poder resolver tais assuntos.

“Conversas Difíceis” é um assunto tão importante que virou até tema de livro. Escrito por Douglas Setone, Bruce Patton e Sheila Heen, o livro investiga as melhores formas de se negociar e resolver os problemas do dia a dia.

Segundo os autores do livro, conversas difíceis normalmente envolvem três tipos de diálogo. Conheça cada um deles e as suas respectivas “tretas”.

Diálogo “O que aconteceu?”
Imagine um jornalista ou narrador contando a cena de alguma história. Embora ele tente ser imparcial ou neutro, a forma como a narrativa é contada leva a uma interpretação (e a uma opinião) sobre os fatos.

Agora, pense quando a cena gira em torno do que acontece no cotidiano de uma empresa. Interpretações e opiniões enviesadas rolam mais soltas ainda, mesmo porque a memória humana é imperfeita.

Não lembramos tão bem dos fatos e acabamos criando a nossa própria versão para eles, então existe essa tendência de “puxar a sardinha” para a nossa interpretação da coisa!

Para essas situações, existem três percepções: verdade, intenção e culpa!

Em um exemplo simples: imagine que você trabalha em um mesmo ambiente com um colega e pede para ele abaixar o volume do som do computador porque suas tarefas exigem concentração.

Ele poderia pensar que viu o chefe pedindo novas demandas para você ou até ter percebido sua falta de foco. Mas a verdade (ou fato) é que o som do computador está ligado, independentemente!

Ele poderia estar ou não consciente das suas necessidades!

E aí vem a questão da intenção. Você pensa: “Ele só quer me atrapalhar”, quando na verdade, ele pode estar só querendo curtir a música enquanto trabalha.

Os diálogos de “O que aconteceu?” giram em torno de diferentes percepções e julgamentos que se fazem em cima de fatos, e não sobre o que realmente aconteceu.

A impressão que temos dessas conversas é que elas precisam terminar com um resultado definindo de quem é a culpa, ou ninguém sai satisfeito! Além de gerar muito desgaste, acabam não resolvendo nada, além deixar as pessoas na defensiva, com desconforto ou raiva.

Existem momentos em que é valido descobrir de quem é a “culpa”? Sim, mas, vamos reverter isso para um estado de curiosidade, no qual as pessoas estariam seguras e abertas para compreenderem que podem, de fato, ter errado e estarem mais receptivas a corrigirem suas posturas.

O diálogo dos sentimentos
Conversas difíceis começam a ser difíceis a partir do momento que expressar as emoções se torna algo arriscado.

Uma boa solução é começar a identificar os conteúdos emocionais dessas conversas, entender os sentimentos das outras pessoas, negociá-los e compartilhá-los da forma mais clara.

Muitas vezes é difícil dizer o que está sentindo, não é?

Mas, por outro lado, pensar que uma outra pessoa está traduzindo seus sentimentos em julgamentos pré-estabelecidos ou até sentir a necessidade de culpar alguém por emoções que não conseguem sair de trás das cortinas, não é mais doloroso?

É bem importante compreender os pensamentos e as próprias percepções que dão origem às emoções. Assim, é possível negociar com nossos próprios sentimentos, mudá-los e colocá-los na linha de frente nos momentos em que for necessário.

O diálogo da identidade
“Eu sou fechado? Não! Sou sistemático e reclamo muito? Jamais! Preconceituoso? Impossível!”

Algumas conversas se tornam difíceis quando desafiam a percepção de quem se é, ou seja, questionam a sua identidade.

Temos mais facilidade em perceber e identificar essas características nos outros, mas um péssimo hábito de reconhecer nossas próprias “falhas”, e no geral, acabamos fazendo isso de forma muito rasa e simplista!

Quando não se tem essa autoconsciência, fica mais fácil dizer “estou irritado” do que desenvolver um diálogo em cima disso e buscar uma conversa de aprendizado.

Se liga em mais essas dicas bacanas para manter o equilíbrio em Conversas Difíceis:

  • Não tentar controlar as reações das pessoas;
  • Estar preparado para a sua própria reação e
  • Dar uma pausa durante a conversa e retomá-la num outro momento.

E depois de conhecer os três tipos de diálogos mais comuns em Conversas Difíceis, é fácil perceber que, para todos nós, a vontade é a mesma: migrar para um estado de aprendizado e curiosidade, ter uma conversa mais amigável e construtiva, no qual todos os lados querem terminar melhor do que no começo!

Ao invés de querer vencer “A batalha da Conversa Difícil”, todos estão dispostos a ouvir. O foco da comunicação está em apreender e compreender o ponto de vista do outro e seus sentimentos.

E isso é super possível e positivo!

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